Um homem pela rua cambaleia assobíos
pensando nas gotas de cana na garrafa
observado sistematicamente de longe por garotos
que por sinal concluem a cômica
cruzam duas ruas no sinal fechado
no checar dos freios
Laura pára o carro, nada compacto
escuta um som aberto, sem pontos
lembra de seu amor, com saudades
engrena e pressiona sem pressa o pedal
liga para irmã: "Põe o bolo no forno!"
faz o nome do pai ao passar pela igreja
o sino tocou forte
Elisa escutou e viu o relógio de sua janela
do quarteirão lá de cima
todos escutaram, alguns notaram
voltou e ligou a tv às seis
seus vizinhos se ligam na novela
e se irritam frenéticos
em meio a muitas buzinas na rua
um trânsito quase atípico, "cidade pacata"
sob um apertado metro quadrado para quatro
calor desprendido, doado e colhido involuntariamente
enorme caixa de pensamentos multi-vetoriais
sobre rodas e sem conforto
idéias, planos, dores e surpresas
olhos desesperançosos, fechados ou ligados
assistem uma dona aguar as plantas
numa casa bonita, um jardim suspenso
poucas casas restam nessa rua
dona Sebastiana rejeita as ofertas
por esta nobre rua
sobe devagar um bêbado
ele tem nome, é Cleber
pede um trocado à dona
antes que ela responda ele vai
de um lado para outro
aponta uma linha reta imaginária
e segue sem modelos
embora feito de bobo.
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