sábado, 8 de janeiro de 2011

A quântica das paixões


Se um ratinho se apaixonasse por uma barata
em algum certo esgoto de uma grande cidade
lançaria ele profundos olhares cheios de fogo e curiosidade
porém antes mesmo que seu olhar chegasse à barata
ela previu e acionou a incerteza
escolheu uma probabilidade
se esquivou numa fuga elegante
e nada mais viu o rato do que um buraco cheio de lodo
sorriu ela um belo sorriso e lavou as mão para almoçar
em seu prato ela divide a parte viscosa da parte cremosa
prefere ela se aventurar pela viscosidade
suga a seiva se metamorfisa uma vespa
uma linda vespa revolucionária que foge para rio verde
subindo e descendo as praianas árvores grão mogolianas
e no prato sobrara a cremosidade
porém se esta fosse sua escolha
ao ser adocicada tudo em sí secaria
tudo se tornaria pouco num fóco da segunda janela
teria todos os olhos do universo
e diria todas as palavras cadentes
em forma de secções cônicas.
E o rato, um indivíduo tão cheio de qualidades
teve outra chance, poderia se apaixonar por uma bactéria
linda, toda coleidoscópica, simetricamente espacial
porém a previsão, fenômeno particular
articulou um ballet de flagelos, cílios, macarronada
sequênciando a esquiva combinou um lindo canto afoxé
seguiu atraindo multidões
instalou-se no fígado em uma feira de concentrações químicas
ficou muito louca e pode ter ido parar na bacia
porém tivesse a bactéria embarcado numa artéria
saltado no baço e armado a barraca pra acampar
ah, já seria um outro longo conto baseado em fatos reais.
O rato descobrirá o segredo num futuro longínquo
sem dizer de seus hipotéticos amores
não pode sonhar com as circunstâncias
de que teria um romance fantástico com uma libelula cigana.

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