Ora, deitasse eu o mundo
ou desligassem-me todos
ela quem me salvaria
quem me trataria
traria-me de volta o ar
Ora, saísse eu em busca do nada
enveredaria comigo ela
por desertos ou matagais
reuniões ou musicais
deitaria-me no colo
faria-me sonhar
Ora, declamasse-lhe formosas cartas
atribuisse a seus olhos o bater de um coração
traria-me bem perto
mais junto até fagocitar-me
num beijo que grita ao amor um grito sem dor
que de lençóis faz nuvens permeáveis
encontro do sol poente com a fina chuva de verão
Ora, desintegrasse eu sem forma
ela moldaria-me como argila
mãos sem destino traduzem os caminhos
a cada traço sussuraria um segredo
que seus arrepios já me haviam contado
Ora, seria eu seu prolongamento
ao ser, em todas as faces
a cada choque dos nervos que geram o afeto
Ora, companheira minha
seria-me e eu te seria.
O Amor renasce.
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